Caio Fernando Abreu e seus livros

Li Para Sempre Teu, Caio F. (Record), de Paula Dip, em dois dias. É delicioso. Ela, amiga pessoal de Caio Fernando Abreu, nos conta a história do autor gaúcho de forma bem leve e cheia de carinho.

As cartas destinadas a ela, algumas expostas integralmente, são um dos maiores trunfos do livro. Lindas, intensas. Bem à maneira de seu autor. Mas vou avisando: algumas dão uma tristeza, uma saudade… e vontade de escrever pra quem se ama.

Mas não é por isso que eu vim aqui hoje. Durante a leitura, achei trechos bem curiosos sobre os livros do autor. Mais especificamente, são trechos em que Caio Fernando explica os nomes de seus livros.

Separei alguns para postar:

Ovo apunhalado

“Os contos giram em torno dessa unidade vital, o ovo, sangrado pelo punhal do cotidiano seco, pelas muitas formas de opressão, a vida  violentada, você é um ovo apunhalado, eu sou um ovo apunhalado. De onde escorre uma gota de sangue maduro. O próprio livro foi tão apunhalado que censuraram três contos, cortaram algumas ‘palavras fortes’ e proibiram a capa, feita por Bruno Schmidt, o que só confirmou minha teoria sobre ovos e punhais”.

Pedras de Calcutá

O título eu tirei do Trecho de diário, de Mario Quintana: ‘Hoje me acordei pensando em pedra em uma rua de Calcutá…’ Para mim a pedra de Calcutá é a dose cotidiana de poesia ou beleza, ou sonho, ou mesmo escapismo, por que não? Necessária e fundamental para qualquer um continuar vivo… São odaras. Joias raras. No mais, sou um jornalista sem registro, que vivo numa comunidade no Jardim Botânico, em Porto Alegre, numa casinha de madeira, com um casal de amigos, Sandra e Gui, de velhas batalhas pelo mundo, moradores flutuantes e uma gata chamada Tigresa. Planto pitangueira, jacarandá, begônia, gerânio, margarida, samambaia.

 Os dragões não conhecem o paraíso

O Dragões é um livro de contos que eu também chamo de romance móbile, onde até podem faltar algumas peças. Quando eu falo de dragões eu falo do mito chinês daqueles animais fantásticos, que não existem e que eu acho que são muito semelhantes às pessoas ditas loucas, muito semelhantes às pessoas ditas loucas, muito criativas e pessoas que não se adaptam simplesmente a trabalhar, ganhar dinheiro e ter uma vida normal. Eu acho que essas pessoas são dragões e não conhecem o paraíso, que é o paraíso da gratificação burguesa, da gratificação do sistema do forno de micro-ondas, da casa própria. Esse tipo de dragão não conhece mesmo este tipo de paraíso.

Ainda vou fazer um texto completinho sobre o livro da Paula Dip e posto aqui :)

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