Salinger e o behaviorismo

“Outros escritores também partem dos pormenores observados com precisão, mesmo fora do ‘anti-romance’, porém vão além de um mundo no qual tudo se congelou em objetos ou situações fixas. J.D. Salinger é um desses escritores. Também ele emprega o método behaviorista, retratando o comportamento das pessoas través de uma sequência de detalhes irrelevantes. Segue-se, aqui, uma passagem tomada ao acaso de Franny & Zooey:

Às dez e trinta de uma manhã de segunda -feira em novembro de 1955, Zooey Glass,um jovem de 25 anos, estava sentando em uma banheira transbordante…

Com base nesse mosaico de pormenores e gestos, servindo-se de pedaços de conversas e esboços de situações, Salinger cria um máximo de atmosfera e descobre aspectos novos da realidade psicológica e social. Suas estórias não têm comentários ou propaganda e são interessantes, prendem o leitor, talvez precisamente por essa razão. Em Salinger, a realidade é redescoberta por jovens entediados pelo mundo que os cerca e empenhados, de um modo ou de outro, na busca de um sentido para a vida. Nessa forma nova e extraordinariamente sutil de crítica social, a obra de Salinger tornava-se válida e bastante interessante, superando  de muito o behaviorismo do ‘anti-romance’. O mundo é visto através dos olhos de criaturas muito jovens ou de crianças: por isso, aparece como realidade inesperada e surpreendente e não como um sistema convencional circunscrito por frases feitas.”

– Trecho de Necessidade da Arte (LTC), de Ernst Fischer

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