Sobre a cor das palavras

“E me acompanham os livros , os que gritam ‘levanta-te’. (…) Swift com palavras pequenininhas que têm braços e pernas e correm rapidamente e formam pirâmides de equilibristas; Rimbaud com palavras vermelhas, verdes, azuis (cor, nada mais que cor); Ambrose Bierce com palavras cheias de espinhas, de arestas, de fios, de unhas, de aspas; Lewis Carrol com palavras-valise, palavras-surpresa; Macedonio com palavras-brinde e palavras-prólogo e palavras-dúvida; Cortázar com palavras-espelho e palavras-suicidas; Elliot com palavras-grito e palavras-agonia…”

(Trecho de Para te comer melhor, de Eduardo Gudiño Kieffer)

É exatamente assim que imagino as palavras. Em especial as de Rimbaud: vermelhas, corrosivas, escandalosas. Quando me deparei com esse trecho, a identificação foi tão forte que nunca mais esqueci. Toda vez que lia Uma Temporada no Inferno era como se as palavras surgissem rubras em um fundo escuro, destacadas na escuridão.

É o poder da literatura, com suas palavras coloridas…

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