Flaubert versus Balzac

James Wood, no ótimo Como funciona a ficção (Cosac Naify), opina – em uma nota de rodapé com um tamanho digno de David Foster Wallace -, sobre qual dos dois  gigantes da literatura, afinal, seria o francês “fundador da narrativa moderna de ficção”.

Há três diferenças entre o realismo de Balzac e o realismo de Flaubert: primeiro, Balzac observa bastante em sua literatura, é claro, mas a ênfase sempre recai mais na abundância do que numa seleção cerrada dos detalhes. Segundo, Balzac não tem nenhum compromisso especial com o estilo indireto livre nem com a impessoalidade do autor e se sente livre para se intromenter como autor/ narrador, com ensaios, digressões e informações sobre dados sociais. (Nesse aspecto, ele parece decididamente setecentista.) Terceiro, e decorrendo das duas diferenças anteriores: ele não tem nenhum interesse tipicamente flaubertiano em apagar a questão de quem é que está vendo tudo. Por tais razões, considero Flaubert, e não Balzac, o verdadeiro fundador da narrativa moderna de ficção.

O autor de Madame Bovary e A educação sentimental seria, segundo Wood, um “realista e um estilista”. O primeiro quer registrar tudo o que vê (à maneira balzaquiana), e o segundo “quer disciplinar essa enxurrada de detalhes, convertê-los em frases e imagens impecáveis”.

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