Histórias de… terror? (E um recado)

O blog vai ficar um tantinho parado e quietinho, até a primeira semana de novembro – tempo suficiente para a autora resolver pendências da vida, como o TCC, e preparar coisas bem legais para postar aqui.

Para ocupar (um pouco) esse tempo, deixo o ótimo Granny O’Grimm (em inglês), do diretor Nicky Phelan, que foi indicada ao Oscar por Melhor Curta de Animação em 2010.

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As linhas da mão

Falei, no post anterior, sobre os tão complexos microcontos. Pois, um dos mestres de escrever em poucas linhas (mesmo que não sejam microcontos) é o argentino Julio Cortázar.

Muitos de seus textos não passam de uma ou duas páginas, e são de uma riqueza e um rigor primorosos, de causar inveja a muitos escritores. Inspirada por isso, vou deixar aqui um vídeo de animação (em espanhol) que recria As linhas da mão, conto presente em Histórias de Cronópios e Famas (Civilização Brasileira) – um prato cheio para quem gosta de histórias curtas -, e que tem a extensão, como vocês podem ver abaixo, de apenas um parágrafo curto.

De uma carta jogada em cima da mesa sai uma linha que corre pela tábua de pinho e desce por uma perna. Basta olhar bem para descobrir que a linha cotinua pelo assoalho, sobe pela parede, entra numa lâmina que reproduz um quadro de Boucher, desenha as costas de uma mulher reclinada num divã e afinal foge do quarto pelo teto e desce pelo fio do pára-raios até a rua. Ali é difícil segui-la por causa do trânsito, mas prestando atenção a veremos subir pela roda do ônibus estacionado na esquina e que vai até o porto. Lá ela desce pela meia de nylon da passageira mais loura, entra no território hostil das alfândegas, sobe e rasteja e ziguezagueia até o cais principal, e aí (mas é difícil enxergá-la, só os ratos a seguem para subir a bordo) atinge o navio de turbinas sonoras, corre pelas tábuas do convés de primeira classe, passa com dificuldade a escotilha maior, e numa cabine onde um homem triste bebe conhaque e ouve o apito da partida, sobe pela costura da calça, pelo jaleco, desliza até o cotovelo, e com um derradeiro esforço se insere na palma da mão direita, que nesse instante começa a fechar-se sobre a culatra de um revólver.

Fonte do texto: Portal Vermelho

Para animar a segunda-feira

A série Blank on Blank, dos estúdios PBS Digital, traz grandes nomes da música, arte, literatura, política e esportes, como James Brown e Fidel Castro, em curtas de animação bem divertidos (em inglês). Separei dois para deixar aqui:

O escritor David Foster Wallace fala sobre perfeccionismo e ambição, seus anos de estudo e a prática de esportes.

Perfectionism is very dangerous, because, of course, if your fidelity to perfectionism is too high you never do anything. Because doing anything results in – it’s actually kind of tragic – because it means you sacrifice hoe gorgeous and perfect it is in your head for what it really is.

***

Maurice Sendak, autor do livro infantil Onde vivem os monstros, fala sobre as delícias e aventuras de ser criança.

I always had a deep respect for children and how they solve complex problems by themselves. (…) I think through shrewdness, fantasy and just plain strenght. They want to survive. They want to survive.

Os áudios são originais, de entrevistas concedidas por eles.
Quem quer ver todos os vídeos da série, é só clicar aqui.

PS: Estou numa fase de amor com vídeos animação, perceberam? :)

Monstros à solta (É sexta-feira 13!)

Em 1816, o poeta Percy Bysshe Shelley e sua noiva Mary Shelley, acompanhados da meia-irmã dela, Claire Clairmont, foram passar um fim de semana agradável na propriedade do amigo e também poeta Lord Byron, na região do Lago Genebra, na Suíça. Para completar o grupo, o também escritor John Polidori.

Porém, os planos dos cinco foram interrompidos por uma forte tempestade, que acabou obrigando o grupo a confinados na mansão por quase todo o período. Como passar o tempo? Contar histórias de terror, claro.

Então começou o festival de vampiros, aberrações e fantasmas. Após esgotarem o repertório de contos que conheciam, e para não ficarem olhando para o teto, Lord Byron teve a ideia de cada um escrever uma história nova, e competirem por quem inventaria a narrativa mais horripilante.

Foi assim que Mary, de apenas dezenove anos, criou o doutor Victor Frankenstein e seu monstro feito de pedaços de cadáveres.

Frankenstein's_monster editado

O Moderno Prometeu se tornou um clássico da literatura gótica de horror, e um fenômeno mundial. A consagração final veio com o filme de James Whale, de 1931. O filme se tornou um sucesso (chegando a ganhar o túítulo de um dos 100 melhores filmes de todos os tempos, pelo American Film Institute) e consolidou a imagem do monstro interpretado por Boris Karloff, deixando-a gravada para sempre no imaginário popular.

Para combinar com esta sexta-feira 13, separei alguns vídeos de animação curtinhos inspirados na história de Mary Shelley e na estética do monstro de Frankenstein.

Aproveitem! :)

The Frank Job

Proinex Felices Fiestas

The Puppet Monster

E, para os saudosistas, o trailer do clássico de 1931:

Um pouco de Ray Bradbury

Nem tudo são flores no começo da carreira de um escritor. E com o americano Ray Bradbury, autor da consagrada distopia Fahrenheit 451, não foi diferente.

Nesse vídeo curtinho ele conta como no início o dinheiro era curto, como demorou para começar a receber pagamento pela publicação de seus textos, e, principalmente, como foi difícil gostar do que escrevia.

Somente após 10 longos anos o autor pôde realmente dizer que escreveu algo bonito – um conto chamado “O lago”. E, nesse momento, ele percebeu o que fez de certo:

I turned the corner into my interior self. I wasn’t writing exterior stuff, I wasn’t writing for the right or the left or for the in between. I was writing for me. And I discovered that was the way to go.

O segredo, diz ele, é a persistência: escrever, escrever e escrever mais. 

Achei no blog da Eletric Literature.

Ginsberg e McCartney juntos

Em 1995, quando estava de visita na casa de Paul McCartney, na Inglaterra, o poeta beat Allen Ginsberg (já com 70 anos de idade e a saúde frágil) convidou o ex-Beatle para musicar seu poema The Ballad of the Skeletons.

O resultado da parceria seria apresentado para apenas para a plateia em uma leitura de poesia no Royal Albert Hall, mas a combinação deu tão certo que virou oficial, e ganhou um vídeo clipe um ano mais tarde, dirigido pelo premiado diretor de cinema Gus Vun Saint (assista abaixo).

O poema pode ser lido na íntegra aqui.

As informações (e a história completa) são do Open Culture.