Indicações #5 (e uma comemoração)

1. Um ótimo texto sobre o crítico Otto Maria Carpeaux, seu encontro com Kafka e outros acontecimentos. De Albert Von Brunn, no Rascunho.

2. Danilo Venticinque fala sobre como conversar com um escritor, na Época.

3. A Bibioteca Mário de Andrade continua com seu ciclo de palestras Romance de formação: caminhos e descaminhos do herói. Neste sábado (15) Jorge de Almeida falará sobre A montanha mágica, de Thomas Mann.

palestra

4. Para guardar – e compartilhar – os meus trechos favoritos de cada livro, criei um arquivo virtual: o Depósito de Citações.

5. Este é o 50º post do Leitura Sabática! :D

Solidão dos poetas

“Afirma Kafka que escrever é um sono mais profundo que a morte. Ainda pensando em  Cabral, eu me pergunto que poeta dormia dentro dele enquanto escrevia seus versos de pedra. Pergunto-me, também, que poeta dormia dentro de Kafka, levando-o a escrever uma ficção tão metódica e ríspida. Talvez Kafka e Cabral se encontrem aí: na frieza. Nos dois casos, ela parece ser apenas o nome fantasioso de uma explosão. Ninguém escreve Uma faca só lâmina, ninguém escreve O processo sem um coração em chamas. A escrita (é isso o que Kafka nos diz) é o manto com que o abafamos.

Penso em meu próprio e pequeno caso. Sempre que estou diante de situações atordoantes, quase sempre sou tomado por um súbito sono. Posso vê-lo como um esgotamento, mas também como um cobertor. Sempre que tomo minhas tristes anotações, elas me servem igualmente como uma coberta. Um anteparo. Uma defesa. Não é isso a literatura, uma maneira de dizer o impossível? Não é para isso que as palavras servem, para nos iludir a respeito de nossa solidão?”

(Trecho do ensaio Kafka e Cabral com sono, de José Castello, reproduzido na versão impressa – e no site – do jornal Rascunho)

Melhores inícios

Tem livros que são tão bons, que começam ótimos já desde as primeiras linhas. Eles te conquistam de primeira e você não os larga mais.

Pensando nisso, fiz a minha listinha do que considero as aberturas mais incríveis que já li, em ordem de preferência.

5. Medo e Delírio em Las Vegas – Hunter S. Thompson

 “Estávamos em algum lugar perto de Barstow, à beira do deserto, quando as drogas começaram a fazer efeito…”

4. Ana Karênina – Liev Tolstói

“Todas as famílias felizes se parecem entre si; as infelizes são infelizes cada uma à sua maneira”

3. Apanhador no Campo de Centeio – J.D. Salinger

“Se querem realmente saber a meu respeito, a primeira coisa que provavelmente vão querer saber é onde nasci, e como foi a desgraçada da minha infância, o que meus pais faziam antes de me terem, e toda aquela baboseira tipo David Copperfield, mas não estou afim disso, se querem saber a verdade.”

2. A Metamorfose – Franz Kafka

“Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso.”

1. Lolita – Vladimir Nabokov

“Lolita, luz da minha vida, fogo da minha virilidade. Meu pecado, minha alma. Lo-li-ta: a ponta da língua faz uma viagem de três passos pelo céu da boca abaixo e, no terceiro, bate nos dentes. Lo. Li. Ta.
Pela manhã, um metro e trinta e dois a espichar dos soquetes; era Lo, apenas Lo. De calças práticas, era Lola. Na escola, era Dolly. Era Dolores na linha pontilhada onde assinava o nome. Mas nos meus braços era sempre Lolita.”