Indicações #3 (Ou, sobre o fim do Google Reader)

Já que o Google resolveu acabar com um dos seus melhores serviços, o  Google Reader, aproveitei minha mudança para outro leitor de feed e resgatei alguns posts e reportagens que estavam salvos como favoritos. Espero que gostem!

Como escrever uma boa resenha má, do Sérgio Rodrigues, no Todoprosa

Brazil: a user’s guide (em inglês), escrito pelo mexicano Juan Pablo Villalobos (autor de Festa no Covil), no site da revista Granta

Hypochondria – An inside look (em inglês), texto do Woody Allen para o The New York Times

La memoria ajena (em espanhol), no site da revista colombiana El Malpensante, em que o argentino Ricardo Piglia fala sobre seu conterrâneo Jorge Luis Borges

In theory: the unread and the unreadable, escrito por Andrew Gallix, no Guardian, e My new year’s resolution: read fewer books, por Michael Bourne no site The Millions, ambos sobre a nossa mania incansável de querer ler todos os livros do mundo (os dois em inglês)

O trompete-vocal de Cortázar, no blog da Cosac Naify, por Daniel Benevides

O inimigo número um de Macondo, em que a Raquel Cozer fala sobre o escritor André Caicedo, no Biblioteca de Raquel

Revistas literárias: Rascunho, veterana aos 12, entrevista que a Josélia Aguiar fez com Rogério Pereira (editor do Rascunho), no Livros Etc

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Ufa! Bastante coisa, não?

Ah, para quem está procurando um leitor de feed novo, estou usando o The Old Reader e estou gostando bastante.

Solidão dos poetas

“Afirma Kafka que escrever é um sono mais profundo que a morte. Ainda pensando em  Cabral, eu me pergunto que poeta dormia dentro dele enquanto escrevia seus versos de pedra. Pergunto-me, também, que poeta dormia dentro de Kafka, levando-o a escrever uma ficção tão metódica e ríspida. Talvez Kafka e Cabral se encontrem aí: na frieza. Nos dois casos, ela parece ser apenas o nome fantasioso de uma explosão. Ninguém escreve Uma faca só lâmina, ninguém escreve O processo sem um coração em chamas. A escrita (é isso o que Kafka nos diz) é o manto com que o abafamos.

Penso em meu próprio e pequeno caso. Sempre que estou diante de situações atordoantes, quase sempre sou tomado por um súbito sono. Posso vê-lo como um esgotamento, mas também como um cobertor. Sempre que tomo minhas tristes anotações, elas me servem igualmente como uma coberta. Um anteparo. Uma defesa. Não é isso a literatura, uma maneira de dizer o impossível? Não é para isso que as palavras servem, para nos iludir a respeito de nossa solidão?”

(Trecho do ensaio Kafka e Cabral com sono, de José Castello, reproduzido na versão impressa – e no site – do jornal Rascunho)